sábado, 28 de maio de 2016

As aves, a serra, eu e a mensagem

Aquela cruz branca e vazia em Sapiranga foi um sinal.

Eu sempre acreditei que o melhor esta por vir, porém nunca tinha experimentado isso com tanta intensidade, de uma maneira tão real.

Tal vez o me perder  foi a melhor maneira de me encontrar, tal vez o perder a própria Fé tenha sido a melhor maneira de começar a creditar em algo que, eu já sabia, teria que ser muito maior que eu mesmo, muito maior que todo o que eu ate ali tinha que ter acreditado.
Sei que eu mesmo de tanto andar buscando o lugar e o momento, de tanto querer fazer a coisa certa, já não sabia para onde, ou como isto poderia ser feito.

A única coisa que fiz, foi apenas não perder o desejo, de encontrar o norte, de resgatar o melhor de mim, de encontrar isto nalgum lugar onde tal vez fora guardado o resto, a fim de que pelo menos os sonhos fossem preservados.

A única decisão que tomei foi a de não mexer um músculo si quer, não me mexer, ficar quieto, como esperando um sussurro, uma voz de um ser invisível que tendo sido trazido pelo vento da serra me indicaria o que deveria ser feito, e isso aconteceu.

Precisei saber depois se aquilo obedecia ao meu ego apenas, ou se era realmente a voz desse ser, dessa alma.

Antes de dar um passo com os meus pés, o dei com o espírito, tentado descobrir o que depois poderia acontecer, aprendi algo sobre a temperança, aprendi a reconhecer a voz desse Deus desconhecido por mim na voz de alguém, desse alguém vou falar depois, não que faça de pessoas a mesma voz de algo alem da matéria, mais também aprendi que a melhor e talvez única maneira que o espírito tem de falar com a gente é na voz de alguém fora da nossa própria voz interior, basta reconhecer o Amor nessa voz externa, essa voz nunca ira nos machucar.

Sem pressa voltei naquele banco, de frente para aquela cruz branca e vazia, lá no alto da serra, observei os pássaros, percebi que as aves que lutavam contra o vento não conseguiam avançar muito nem fazer grandes evoluções, parecia como se elas estivessem amarradas a invisíveis cordinhas que não as deixavam chegar nem muito alto, nem muito longe nesse magnífico Van Gogh verde das Acácias da serra de Sapiranga, enquanto que aquelas aves que descobriam no céu os caminhos traçados pelas correntes de ar, elas sim, conseguiam voar mais alto, quase se perdiam no fundo azul cristal do céu, e desapareciam de tão longe que iam, levadas como que por uma mão gigantesca, e o mais formoso desta paisagem era que elas nem precisavam fazer nada alem de se deixar conduzir, aprendi que as aves estão feitas para voar, assim como nós, seres humanos fomos criados para alcançar os objetivos e a plenitude, desde que façamos o melhor de nós para descobrir os melhores caminhos e aprendamos a interagir com isso, que esta além da gente, que é detentor de uma sabedoria maior que a nossa, que tem total poder de abrir o caminho, que se chama Deus.

Nesse momento não tomei a decisão, eu a senti, algo se ativou dentro de mim, tinha chegado a hora, me levantei daquele banco, desci aquela serra de passo em passo, ouvindo as quedas d’água ao lado do caminho, conversando em assobios com os Sabias, em Paz, sem pressa, me deixando levar pelo vento, com os olhos bem abertos da alma, já não era preciso prestar atenção aos meus medos...


Carmelo J. Serra

sábado, 14 de maio de 2016

12 Princípios para quem cuida de pessoas

                          
     
O servir, o cuidar, o liderar pessoas, não devem nunca gerar em nós qualquer sentimento de potencia, mais um achegamento a Deus.

A nossa autoridade maior reside apenas num Deus amoroso, ele terá plena autoridade na nossa consciência de serviço.

O requisito primordial para fazer parte do grupo, deve ser o amor ao próximo.

Ainda que tenhamos plena autonomia na tomada de decisões, esta autonomia deve obedecer a abnegação, e não a promoção.

O nosso propósito primordial será acreditar sempre que a recuperação é possível para qualquer um, independente do nosso julgamento.

Nunca nenhum membro da equipe estará acima, na sua autoridade, da mesma equipe, lembrando sempre de princípios acima de personalidades, e que Deus se manifesta na consciência coletiva.

A nossa equipe não manda, não governa, mais serve a Deus nos outros

Embora que devamos manter sempre uma postura profissional, isto nunca estará acima do humanismo.

Nunca acreditaremos  que o pertencer esta relacionado ao mérito, mais com a misericórdia de Deus.

O julgar e o pensar estará sempre vinculado a pretensão de ajudar e não ao ego.

O contato consciente com Deus será o nosso conselheiro ao determinar caminhos a serem tomados

O evitar sofrimentos, perdas e retrocessos serão o norte da nossa tarefa, lembrando sempre de onde viemos e que em cada derrota  teremos uma coluna a menos na nossa própria evolução. E que todo o que possamos fazer, será pouco diante do que Deus tem feito por nós.


                                                                            Carmelo J. Serra